A partir de 3 de novembro de 2025, todos os estabelecimentos que aceitam vale-alimentação, vale-refeição ou vale-cultura precisarão ter a função “voucher” habilitada nas maquininhas.
A mudança, que segue diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego, promete transformar o setor de benefícios corporativos no Brasil ao trazer mais transparência, rastreabilidade e concorrência para o uso desses cartões.
Mas, afinal, o que muda na prática para empresas, estabelecimentos e trabalhadores? É o que vamos explicar neste artigo.
O que é a função “voucher” e por que ela está sendo implementada
Até pouco tempo, os cartões de benefícios (como os de vale-alimentação e refeição) funcionavam em arranjos fechados, nos quais cada emissora (como Alelo, Ticket, Sodexo, VR, entre outras) determinava sua própria rede de aceitação.
Isso significava que um restaurante podia aceitar um cartão, mas não outro, gerando limitações para os consumidores e pouco incentivo à concorrência entre as empresas de benefícios.
A função “voucher” surge para mudar esse cenário. Com ela, os pagamentos com vale passam a ser feitos em arranjos abertos, utilizando as mesmas bandeiras tradicionais dos cartões de crédito e débito, como Visa, Mastercard e Elo.
Na prática, as maquininhas passam a exibir a nova opção de pagamento: “débito, crédito ou voucher”, permitindo que diferentes emissores e bandeiras operem de forma integrada.
O objetivo é trazer mais transparência, interoperabilidade e liberdade de escolha, tanto para empresas que contratam o benefício quanto para os estabelecimentos que o aceitam.
Principais mudanças que entram em vigor a partir de novembro de 2025
A partir de 3 de novembro, todas as credenciadoras (como Cielo, Rede, Stone e Getnet) deverão disponibilizar a função “voucher” para estabelecimentos que aceitam cartões de benefícios.
Confira o que muda:
- Nova opção nas maquininhas: a função “voucher” aparecerá junto às opções de débito e crédito, identificando o pagamento com vale-alimentação ou refeição.
- Sem necessidade de trocar equipamentos: na maioria dos casos, será necessário apenas atualizar o software da maquininha ou solicitar a habilitação da função junto à credenciadora.
- Interoperabilidade: o sistema permitirá que um mesmo cartão de benefício seja aceito em mais locais, independentemente da bandeira emissora.
- Mais liberdade para as empresas: o novo modelo estimula a concorrência entre emissores, reduzindo custos e ampliando possibilidades de negociação.
Quem é impactado pela mudança
Empresas que oferecem benefícios
As empresas que oferecem vale-alimentação e refeição a seus colaboradores serão diretamente beneficiadas com a mudança.
A transparência no uso dos vales reduz o risco de desvios, e o aumento da concorrência entre bandeiras tende a diminuir taxas e custos de administração dos benefícios.
Além disso, os empregadores terão mais liberdade para escolher provedores com melhores condições e serviços.
Lojistas e estabelecimentos comerciais
Os comércios que aceitam vale-alimentação e refeição precisarão garantir que suas maquininhas estejam habilitadas com a função “voucher”.
A boa notícia é que o processo é simples: basta solicitar a ativação à credenciadora (em maquininhas POS, TEF ou sistemas online).
Com a nova função, o número de estabelecimentos que aceitam vales deve aumentar, atraindo mais consumidores.
Trabalhadores beneficiários
Para os trabalhadores, a mudança promete mais transparência e facilidade de uso.
A função “voucher” permite rastrear as transações e identificar os tipos de estabelecimento e produtos adquiridos, garantindo o uso correto do benefício conforme as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
Além disso, a interoperabilidade amplia as opções de locais que aceitam o vale, melhorando a experiência de quem utiliza o benefício no dia a dia.
Desafios e pontos de atenção
Apesar dos benefícios, o novo modelo exige adaptação por parte dos lojistas e empresas.
Alguns pontos merecem atenção:
- Habilitação obrigatória: quem ainda não ativou a função “voucher” precisa entrar em contato com a credenciadora ou empresa de TEF o quanto antes.
- Treinamento de equipe: é importante garantir que o time saiba orientar clientes e colaboradores sobre a nova função.
- Ajustes técnicos: em redes maiores, pode haver necessidade de atualização de sistemas internos de pagamento.
- Regulamentações pendentes: alguns detalhes, como a portabilidade de saldo entre emissores, ainda dependem de definições oficiais do Ministério do Trabalho.
O que essa mudança representa para o mercado de benefícios corporativos
A função “voucher” representa uma mudança estrutural no mercado de benefícios corporativos.
Ao migrar de um sistema fechado para um modelo aberto e interoperável, o setor tende a se tornar mais competitivo e eficiente.
Essa transição pode gerar:
- Redução de custos para empresas contratantes;
- Maior poder de negociação entre emissores e credenciadoras;
- Aumento da inovação e digitalização do setor de benefícios;
- Transparência e rastreabilidade nas operações;
- Melhor experiência para o trabalhador.
Em outras palavras, trata-se de uma modernização que alinha o Brasil às práticas mais atuais de open payments e governança de benefícios corporativos.
Como a sua empresa pode se preparar
Para empresas e estabelecimentos que ainda não se adequaram, o momento é de ação imediata. Veja o que fazer:
- Verifique se a função “voucher” já está ativa nas suas maquininhas ou sistemas de pagamento.
- Contate sua credenciadora (Cielo, Rede, Stone, Getnet etc.) para confirmar prazos e procedimentos de habilitação.
- Atualize o software de TEF, caso sua operação utilize esse tipo de integração.
- Treine sua equipe para utilizar corretamente a função e orientar os clientes.
- Revise contratos e taxas com as emissoras de benefícios, pois o novo modelo pode abrir espaço para melhores condições.
Conclusão
A obrigatoriedade da função “voucher” marca um novo capítulo na forma como os vales-alimentação e refeição são utilizados no Brasil.
Mais do que uma atualização técnica, essa mudança representa um avanço em transparência, competitividade e eficiência para todo o ecossistema, de empresas a trabalhadores.
Preparar-se com antecedência é a chave para garantir que a transição aconteça sem imprevistos e para aproveitar todas as oportunidades que o novo modelo trará.